Aposentadoria compulsória: completar determinada idade obriga todos a parar de trabalhar?
Adriane Bramante explica prova de vida INSS

Patrícia Steffanello | Assessoria de Comunicação

Imagem: Pexels

Muitas pessoas acreditam que todo trabalhador é obrigado a se aposentar ao completar determinada idade. Essa ideia não está correta.

A aposentadoria compulsória depende do tipo de vínculo profissional e do regime previdenciário ao qual a pessoa está vinculada.

As regras aplicáveis a um servidor público titular de cargo efetivo são diferentes das normas destinadas ao empregado de uma empresa privada.


O que é aposentadoria compulsória?

A aposentadoria compulsória ocorre quando a pessoa precisa deixar a atividade ao alcançar a idade-limite prevista na Constituição ou na legislação.

Diferentemente da aposentadoria voluntária, ela não depende apenas da vontade do trabalhador.

Essa modalidade é aplicada principalmente aos servidores públicos vinculados a um Regime Próprio de Previdência Social.


Existe aposentadoria compulsória para segurado do INSS?

No Regime Geral de Previdência Social, administrado pelo INSS, não existe uma aposentadoria compulsória igual à aplicada aos servidores públicos.

A legislação permite que a empresa solicite a aposentadoria por idade do empregado quando ele completar:

  • 70 anos, se homem;
  • 65 anos, se mulher;
  • a carência exigida para o benefício.

Essa é uma possibilidade concedida ao empregador, não uma aposentadoria automática gerada apenas pela idade.

A regra é específica para o segurado empregado e não se aplica da mesma maneira aos trabalhadores autônomos e demais contribuintes individuais.


O trabalhador privado é aposentado automaticamente aos 70 anos?

Não. O homem que completa 70 anos ou a mulher que completa 65 anos não recebe automaticamente a aposentadoria.

O benefício depende de um pedido feito pelo próprio segurado ou, nas situações previstas em lei, pelo empregador.

Também é necessário cumprir a carência exigida.

Quando a empresa solicita a aposentadoria e ocorre o encerramento do contrato, devem ser observadas as consequências trabalhistas previstas para essa forma de desligamento.


Como funciona para o servidor público?

Para o servidor titular de cargo efetivo vinculado a um Regime Próprio de Previdência Social, a aposentadoria compulsória ocorre, em regra, aos 75 anos.

Ao atingir essa idade, o servidor deve passar para a inatividade, independentemente de ter apresentado um pedido de aposentadoria.

As regras de cálculo do benefício podem variar conforme o ente público, a data de ingresso no serviço público e a legislação previdenciária aplicável.

Estados e municípios também podem ter reformas e normas próprias, que precisam ser examinadas em cada caso.


O servidor recebe o valor integral?

Não necessariamente.

No caso dos servidores federais submetidos às regras posteriores à Reforma da Previdência, o cálculo considera a média das contribuições e um percentual relacionado ao tempo de contribuição.

A aposentadoria compulsória pode resultar em valor inferior ao que seria obtido por meio de uma aposentadoria voluntária.

Se o servidor já tiver cumprido os requisitos de uma regra voluntária mais vantajosa, essa possibilidade precisa ser analisada antes de ele completar 75 anos.


E o empregado público?

O empregado público possui um contrato de trabalho, mas presta serviços a entidades da Administração Pública, como empresas públicas e sociedades de economia mista.

A Reforma da Previdência estabeleceu uma regra específica para esses trabalhadores, com previsão de aposentadoria compulsória aos 75 anos, desde que atendido o tempo mínimo de contribuição.

A aplicação dessa norma e os efeitos sobre o contrato de trabalho ainda envolvem discussão no Supremo Tribunal Federal.

O julgamento do Tema 1.390 trata da aplicação da aposentadoria compulsória aos empregados públicos e das consequências trabalhistas da extinção do vínculo.

Como a análise ainda não estava definitivamente concluída na data das informações utilizadas, cada situação exige atenção ao andamento do julgamento.


A aposentadoria compulsória dá direito à multa de 40% do FGTS?

A resposta depende do tipo de vínculo.

No caso do empregado de empresa privada submetido à regra que permite ao empregador solicitar a aposentadoria, existem decisões reconhecendo o pagamento de verbas trabalhistas, como aviso-prévio e multa de 40% sobre o FGTS.

Para empregados públicos alcançados pela regra constitucional dos 75 anos, a situação é diferente e ainda depende da definição dos efeitos jurídicos aplicáveis ao encerramento do contrato.

Não é correto aplicar automaticamente a mesma conclusão a todos os trabalhadores.


O contrato de trabalho termina com a aposentadoria?

Na aposentadoria requerida pela empresa nos termos da legislação previdenciária, o encerramento do contrato pode ocorrer no dia anterior ao início do benefício.

Na aposentadoria voluntária comum, receber o benefício não encerra automaticamente todo contrato de trabalho privado. O segurado pode continuar trabalhando, salvo nas situações em que a legislação estabelece restrições específicas.

Para servidores e empregados públicos submetidos à aposentadoria compulsória, existem regras próprias sobre o afastamento e o fim do vínculo.


O que precisa ser verificado em cada caso?

Antes de afirmar que uma pessoa será obrigada a se aposentar, é necessário identificar:

  • se ela é empregada privada, empregada pública ou servidora titular de cargo efetivo;
  • se está vinculada ao INSS ou a um regime próprio;
  • qual idade foi alcançada;
  • se a carência ou o tempo mínimo de contribuição foram cumpridos;
  • qual legislação estava vigente na data;
  • se já existe direito a uma aposentadoria voluntária mais vantajosa;
  • quais serão os efeitos sobre o contrato ou o cargo público.


A aposentadoria compulsória não pode ser definida apenas pela idade. O vínculo profissional e o regime previdenciário são fundamentais para determinar a regra correta.

23 de outubro de 2026
Quem passa boa parte da vida trabalhando em ambientes industriais pode estar exposto a ruídos intensos, fumos metálicos, solventes e outras substâncias prejudiciais à saúde.
23 de outubro de 2026
Pagamento será destinado aos beneficiários que começaram a receber aposentadorias, pensões e outros benefícios previdenciários a partir de maio de 2026 e ficaram de fora da antecipação do primeiro semestre.
23 de outubro de 2026
Uma proposta em tramitação na Câmara dos Deputados pode mudar significativamente o valor da aposentadoria por incapacidade permanente, benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) destinado aos trabalhadores que não podem mais exercer suas atividades profissionais e não têm possibilidade de reabilitação para
16 de outubro de 2026
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) registrou uma redução na fila de pedidos de benefícios previdenciários e assistenciais em setembro de 2026.
16 de outubro de 2026
Mulheres que precisam se afastar do trabalho em razão de violência doméstica já podem solicitar um benefício específico pelo Meu INSS.
16 de outubro de 2026
O outubro Rosa chama a atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, mas também abre espaço para uma discussão importante: os direitos das mulheres que enfrentam a doença.
Por Eric Rodrigues • 1 de outubro de 2026
O Supremo Tribunal Federal decidiu que mães biológicas e mães adotivas devem ter direito ao mesmo período de licença-maternidade.
1 de outubro de 2026
Uma decisão da Justiça Federal declarou inválida uma regra do INSS que permitia que, nos primeiros meses após a concessão do benefício, apenas o banco responsável pelo pagamento pudesse oferecer empréstimo consignado ao aposentado ou pensionista.
1 de outubro de 2026
Quem solicita ou já recebe o Benefício de Prestação Continuada, o BPC, precisa ficar atento a uma atualização importante nas regras utilizadas para avaliar a renda familiar.
Beneficiário consultando informações sobre atrasados do INSS e pagamento de RPV pela Justiça.
25 de setembro de 2026
Atrasados do INSS: Justiça libera R$ 2,68 bilhões e tribunais definem datas de saque