
Patrícia Steffanello | Assessoria de Comunicação
Imagem: Pixabay
O glaucoma segue sendo a principal causa de cegueira irreversível no Brasil, mesmo com o avanço dos tratamentos e do acesso a exames pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo dados divulgados pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO),
aproximadamente 350 mil brasileiros realizam tratamento anual da doença com colírios fornecidos pela rede pública.
A doença é considerada silenciosa porque, em muitos casos, evolui sem sintomas perceptíveis nas fases iniciais. Quando o paciente percebe alterações importantes na visão, o comprometimento do nervo óptico já pode estar avançado e irreversível.
O que é glaucoma?
O glaucoma é uma doença ocular progressiva que afeta o nervo óptico, geralmente associada ao aumento da pressão intraocular. Com o passar do tempo, o dano compromete o campo visual e pode levar à perda permanente da visão.
A perda visual costuma começar pelas laterais da visão, dificultando que o paciente perceba a evolução da doença logo no início. Por isso, o glaucoma é frequentemente chamado de “ladrão silencioso da visão”.
Apesar de não ter cura, o tratamento adequado pode controlar a progressão da doença e preservar a visão remanescente.
Diagnóstico tardio ainda preocupa especialistas
Um estudo mostrou crescimento expressivo no número de cirurgias de glaucoma realizadas pelo SUS. Os procedimentos passaram de 18,5 mil em 2009 para 45,2 mil em 2024, um aumento de 144%.
Mesmo assim, especialistas alertam que o acesso ao diagnóstico e ao tratamento ainda é desigual entre as regiões brasileiras. Além disso, muitas pessoas descobrem a doença apenas em estágios avançados, quando já existem perdas visuais irreversíveis.
Quem possui maior risco de desenvolver glaucoma?
Alguns fatores aumentam significativamente o risco da doença:
- idade acima de 40 anos;
- histórico familiar;
- pressão ocular elevada;
- diabetes;
- miopia elevada;
- hipertensão;
- uso prolongado de corticoides;
- pessoas negras possuem maior predisposição em alguns tipos da doença.
Por isso, consultas oftalmológicas periódicas são fundamentais, especialmente para pessoas dos grupos de risco.
Glaucoma pode gerar direitos previdenciários?
Sim. Dependendo do grau de comprometimento visual e do impacto na capacidade de trabalho, o glaucoma pode gerar direitos previdenciários e assistenciais importantes. Entre os principais benefícios que podem ser discutidos estão:
Auxílio por incapacidade temporária
Quando a doença impede temporariamente o exercício da atividade profissional, o segurado pode ter direito ao antigo auxílio-doença, atualmente chamado de benefício por incapacidade temporária.
Isso pode ocorrer, por exemplo:
- após cirurgias;
- em fases avançadas da perda visual;
- quando há limitação importante para dirigir, operar máquinas ou exercer funções de risco.
Aposentadoria por incapacidade permanente
Nos casos mais graves, quando a perda visual impede de forma definitiva o retorno ao trabalho, pode existir direito à aposentadoria por incapacidade permanente.
A análise depende de fatores como:
- grau de perda visual;
- atividade exercida;
- idade;
- possibilidade de reabilitação profissional;
- condições clínicas gerais do segurado.
Benefício da Pessoa com Deficiência (BPC/LOAS)
Pessoas com cegueira ou deficiência visual grave causada pelo glaucoma também podem preencher os requisitos para o Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS). Nesse caso, além da deficiência, é necessário comprovar situação de vulnerabilidade social e baixa renda familiar.
Aposentadoria da Pessoa com Deficiência
Em determinadas situações, a deficiência visual permanente decorrente do glaucoma pode permitir acesso à aposentadoria da pessoa com deficiência, que possui regras diferenciadas de tempo de contribuição e idade.
A avaliação considera:
- grau da deficiência;
- impacto funcional;
- histórico contributivo;
- documentação médica e social.
A importância da documentação médica
Em casos envolvendo glaucoma e benefícios previdenciários, a documentação médica possui papel fundamental.
Entre os documentos mais importantes estão:
- exames oftalmológicos;
- laudos médicos;
- campimetria visual;
- relatórios sobre perda de campo visual;
- histórico de tratamentos e cirurgias;
- receitas e acompanhamento especializado.
Quanto mais detalhada a comprovação das limitações, maior a segurança na análise do benefício.
O glaucoma continua sendo uma das doenças oculares mais preocupantes do país por causa do diagnóstico silencioso e da possibilidade de cegueira irreversível.
Além dos impactos na qualidade de vida, a doença também pode afetar diretamente a capacidade de trabalho e a autonomia da pessoa.
Dependendo da gravidade do quadro, o glaucoma pode gerar direitos previdenciários e assistenciais importantes, especialmente quando há comprometimento significativo da visão e limitação funcional comprovada.















