Justiça liberou R$ 2,68 bilhões em atrasados do INSS; saque depende do tribunal responsável
Adriane Bramante explica prova de vida INSS

Patrícia Steffanello | Assessoria de Comunicação

Valores são destinados a quem venceu ações judiciais e teve a requisição de pagamento incluída no lote


O Conselho da Justiça Federal (CJF) liberou R$ 2,68 bilhões para quitar valores atrasados em processos relacionados ao INSS e a benefícios assistenciais. A liberação foi noticiada em 21 de setembro e abrange ações de concessão ou revisão de benefícios, como aposentadorias, pensões e auxílios por incapacidade.


Os recursos fazem parte de um repasse maior, de R$ 3,22 bilhões, destinado ao pagamento de dívidas reconhecidas pela Justiça contra órgãos federais. O lote completo contempla 278.063 beneficiários em 218.651 processos. Esses números incluem outras ações contra o governo, além das relacionadas ao INSS.


Na parcela previdenciária e assistencial, são aproximadamente 173,8 mil beneficiários, distribuídos em 126,4 mil processos. O pagamento ocorre por meio de Requisições de Pequeno Valor, conhecidas como RPVs, que abrangem dívidas de até 60 salários mínimos. Em 2026, esse limite corresponde a R$ 97.260.


Os chamados atrasados são quantias que deveriam ter sido pagas anteriormente, mas não foram recebidas ou ficaram abaixo do valor devido. Depois do reconhecimento judicial, essas diferenças passam a integrar o pagamento determinado no processo.


Quem está incluído no pagamento

Ter um benefício negado pelo INSS não é suficiente para receber os valores desse lote. É necessário ter vencido uma ação judicial e contar com uma RPV incluída na liberação. Por isso, quem ainda aguarda uma decisão ou a emissão da requisição precisa verificar a situação específica do processo.


A autorização do repasse também não significa que todos os beneficiários já possam sacar. O CJF encaminha o dinheiro aos Tribunais Regionais Federais (TRFs), responsáveis pelos depósitos e pelas informações sobre a disponibilidade dos valores. A data deve ser conferida no tribunal que acompanha a ação.


Como consultar e receber

A consulta pode ser feita no portal do TRF responsável, com o número do processo ou o CPF, conforme as opções do sistema. O beneficiário deve procurar os registros sobre a expedição da RPV e a liberação do pagamento.


O depósito ocorre em uma conta específica aberta no Banco do Brasil ou na Caixa Econômica Federal. O dinheiro, portanto, não entra automaticamente na conta usada para receber o benefício mensal. Depois da liberação, o saque deve seguir as orientações do tribunal e do banco indicado. Em determinadas situações, também é possível solicitar a transferência para uma conta informada pelo advogado.

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Titulo da Notícia Patrícia Steffanello | Assessoria de Comunicação Imagem: Pexels Terceira fase da operação, realizada em Alagoas, encontrou 201 benefícios com indícios de irregularidades. Pensões por morte representam a maior parte dos casos investigados Uma nova etapa da Operação Geração Espontânea, realizada em Alagoas, revelou a existência de 201 benefícios previdenciários com indícios de irregularidades. Do total identificado pelas investigações, 153 são pensões por morte, benefício que acabou concentrando a maior parte dos casos suspeitos. A operação aponta para a existência de um esquema estruturado de fraude contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com participação de diferentes pessoas e núcleos responsáveis por viabilizar a obtenção irregular dos benefícios. Segundo as informações divulgadas pelo Ministério da Previdência Social, a investigação envolve servidores públicos, funcionários de cartórios e pessoas ligadas à falsificação de documentos utilizados nos requerimentos. Entre os documentos que teriam sido falsificados estão certidões de nascimento e óbito, documentos de identidade, atestados médicos e comprovantes de residência. Prejuízo aos cofres públicos supera R$ 24 milhões De acordo com a Coordenação-Geral de Inteligência da Previdência Social, o prejuízo estimado com as fraudes investigadas ultrapassa R$ 24 milhões. A atuação da força-tarefa, entretanto, também permitiu interromper pagamentos que poderiam gerar novas perdas. Até o momento, aproximadamente R$ 8,2 milhões em pagamentos indevidos foram evitados. Além disso, 131 benefícios foram suspensos ou cessados durante as investigações. Os demais casos identificados serão encaminhados ao INSS para que passem pelos procedimentos de revisão e análise administrativa. Como funcionaria o esquema? As investigações apontam para uma estrutura organizada, na qual diferentes participantes teriam funções específicas para viabilizar a criação de documentos e informações utilizadas na tentativa de obter benefícios previdenciários de maneira irregular. A falsificação de documentos como certidões de nascimento e óbito chama atenção especialmente nos casos envolvendo pensão por morte. Isso porque a concessão do benefício depende da comprovação de uma série de informações, entre elas o falecimento do segurado e a condição de dependente de quem solicita a pensão. Quando documentos falsos entram nesse processo, todo o sistema de análise pode ser comprometido. Fraudes também prejudicam quem tem direito O combate às irregularidades no INSS não representa apenas uma preocupação com os cofres públicos. Fraudes previdenciárias também podem prejudicar os próprios segurados que dependem do sistema. O INSS administra benefícios destinados a pessoas que se encontram em situações específicas de proteção social, como incapacidade para o trabalho, idade avançada, morte de um segurado ou outras hipóteses previstas na legislação. Quando recursos são desviados por meio de fraudes, aumenta a necessidade de fiscalização e de mecanismos de controle. Para a advocacia previdenciária, esse cenário também exige atenção. O advogado que atua na área precisa acompanhar as mudanças nos procedimentos administrativos e orientar seus clientes sobre a importância de apresentar informações e documentos verdadeiros e consistentes durante um requerimento. A Operação Geração Espontânea vem sendo realizada desde 2024. Somadas as três fases da investigação, já foram cumpridos 46 mandados de busca e apreensão, segundo as informações divulgadas pelo Ministério da Previdência Social. A operação é conduzida pela Polícia Federal, com participação da Coordenação-Geral de Inteligência da Previdência Social. A identificação dos benefícios suspeitos e a posterior revisão pelo INSS fazem parte de uma estratégia mais ampla de combate a irregularidades e proteção dos recursos destinados ao pagamento dos benefícios previdenciários. Fiscalização e proteção do sistema previdenciário Casos como o investigado na Operação Geração Espontânea mostram a importância do trabalho de inteligência e fiscalização na Previdência Social. Ao mesmo tempo em que é necessário combater quem utiliza documentos falsos para obter benefícios indevidos, também é fundamental garantir que os mecanismos de controle não criem obstáculos desnecessários para quem realmente possui direito à proteção previdenciária. O desafio está justamente em encontrar esse equilíbrio: combater a fraude sem transformar a fiscalização em uma barreira para o segurado de boa-fé. A Previdência Social existe para proteger trabalhadores e suas famílias diante de situações previstas em lei. Preservar os recursos do sistema, portanto, também significa garantir que eles cheguem a quem efetivamente precisa. A Operação Geração Espontânea segue em andamento, e os benefícios identificados como suspeitos ainda passarão pelos procedimentos de revisão do INSS.
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