Registro de EPI eficaz não impede tempo especial em determinadas atividades hospitalares, decide TNU
Adriane Bramante explica prova de vida INSS

Patrícia Steffanello | Assessoria de Comunicação

Entendimento considera procedimentos e setores de maior exposição a agentes biológicos, segundo resultado divulgado pelo Previdenciarista


A Turma Nacional de Uniformização (TNU) decidiu, por maioria, que a indicação de equipamento de proteção individual eficaz no documento previdenciário não impede o reconhecimento de atividade especial em determinadas situações de trabalho hospitalar. Segundo o Previdenciarista, que publicou o resultado em 24 de setembro, a decisão foi tomada no julgamento do Tema 383.


A discussão envolve profissionais da saúde expostos a agentes biológicos potencialmente nocivos. O ponto central é saber em quais situações o registro de proteção eficaz no Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP) pode afastar o enquadramento do período como especial para fins previdenciários. Essa é a questão submetida à TNU no processo.


Conforme o resultado noticiado, a exceção abrange profissionais que realizam ou auxiliam habitualmente procedimentos geradores de aerossóis em hospitais, como intubação, aspiração das vias aéreas e broncoscopia. Também alcança o atendimento de urgência ou emergência em setores críticos, como UTI, pronto-socorro e centro cirúrgico, além do trabalho em alas destinadas a pacientes com suspeita ou confirmação de doenças infectocontagiosas. Nessas condições, a anotação de EPI eficaz não basta, sozinha, para afastar o tempo especial.


Análise depende das atividades exercidas

O cargo ocupado não resolve a questão por si só. A discussão considera o trabalho efetivamente realizado, a exposição aos agentes nocivos e as condições de proteção registradas nos documentos. Por isso, atuar dentro de um hospital não representa garantia automática de aposentadoria especial.


Para os demais profissionais hospitalares com exposição habitual e permanente a agentes biológicos, o resultado divulgado exige contestação específica e fundamentada da eficácia do EPI, conforme os Temas 213 da TNU e 1.090 do STJ.


Essa contestação pode envolver, por exemplo, a inadequação do equipamento ao risco ou problemas de manutenção, substituição e treinamento. São questões que precisam ser examinadas a partir dos registros e das condições de trabalho de cada profissional.



Na consulta realizada para esta matéria, a página oficial do Tema 383 no Conselho da Justiça Federal ainda apresentava o assunto como “Em Julgamento”, sem o texto da tese e sem data de publicação do acórdão. O resultado descrito foi divulgado após a sessão de 24 de setembro, cuja realização havia sido anunciada pela Justiça Federal.

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Titulo da Notícia Patrícia Steffanello | Assessoria de Comunicação Imagem: Pexels Terceira fase da operação, realizada em Alagoas, encontrou 201 benefícios com indícios de irregularidades. Pensões por morte representam a maior parte dos casos investigados Uma nova etapa da Operação Geração Espontânea, realizada em Alagoas, revelou a existência de 201 benefícios previdenciários com indícios de irregularidades. Do total identificado pelas investigações, 153 são pensões por morte, benefício que acabou concentrando a maior parte dos casos suspeitos. A operação aponta para a existência de um esquema estruturado de fraude contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com participação de diferentes pessoas e núcleos responsáveis por viabilizar a obtenção irregular dos benefícios. Segundo as informações divulgadas pelo Ministério da Previdência Social, a investigação envolve servidores públicos, funcionários de cartórios e pessoas ligadas à falsificação de documentos utilizados nos requerimentos. Entre os documentos que teriam sido falsificados estão certidões de nascimento e óbito, documentos de identidade, atestados médicos e comprovantes de residência. Prejuízo aos cofres públicos supera R$ 24 milhões De acordo com a Coordenação-Geral de Inteligência da Previdência Social, o prejuízo estimado com as fraudes investigadas ultrapassa R$ 24 milhões. A atuação da força-tarefa, entretanto, também permitiu interromper pagamentos que poderiam gerar novas perdas. Até o momento, aproximadamente R$ 8,2 milhões em pagamentos indevidos foram evitados. Além disso, 131 benefícios foram suspensos ou cessados durante as investigações. Os demais casos identificados serão encaminhados ao INSS para que passem pelos procedimentos de revisão e análise administrativa. Como funcionaria o esquema? As investigações apontam para uma estrutura organizada, na qual diferentes participantes teriam funções específicas para viabilizar a criação de documentos e informações utilizadas na tentativa de obter benefícios previdenciários de maneira irregular. A falsificação de documentos como certidões de nascimento e óbito chama atenção especialmente nos casos envolvendo pensão por morte. Isso porque a concessão do benefício depende da comprovação de uma série de informações, entre elas o falecimento do segurado e a condição de dependente de quem solicita a pensão. Quando documentos falsos entram nesse processo, todo o sistema de análise pode ser comprometido. Fraudes também prejudicam quem tem direito O combate às irregularidades no INSS não representa apenas uma preocupação com os cofres públicos. Fraudes previdenciárias também podem prejudicar os próprios segurados que dependem do sistema. O INSS administra benefícios destinados a pessoas que se encontram em situações específicas de proteção social, como incapacidade para o trabalho, idade avançada, morte de um segurado ou outras hipóteses previstas na legislação. Quando recursos são desviados por meio de fraudes, aumenta a necessidade de fiscalização e de mecanismos de controle. Para a advocacia previdenciária, esse cenário também exige atenção. O advogado que atua na área precisa acompanhar as mudanças nos procedimentos administrativos e orientar seus clientes sobre a importância de apresentar informações e documentos verdadeiros e consistentes durante um requerimento. A Operação Geração Espontânea vem sendo realizada desde 2024. Somadas as três fases da investigação, já foram cumpridos 46 mandados de busca e apreensão, segundo as informações divulgadas pelo Ministério da Previdência Social. A operação é conduzida pela Polícia Federal, com participação da Coordenação-Geral de Inteligência da Previdência Social. A identificação dos benefícios suspeitos e a posterior revisão pelo INSS fazem parte de uma estratégia mais ampla de combate a irregularidades e proteção dos recursos destinados ao pagamento dos benefícios previdenciários. Fiscalização e proteção do sistema previdenciário Casos como o investigado na Operação Geração Espontânea mostram a importância do trabalho de inteligência e fiscalização na Previdência Social. Ao mesmo tempo em que é necessário combater quem utiliza documentos falsos para obter benefícios indevidos, também é fundamental garantir que os mecanismos de controle não criem obstáculos desnecessários para quem realmente possui direito à proteção previdenciária. O desafio está justamente em encontrar esse equilíbrio: combater a fraude sem transformar a fiscalização em uma barreira para o segurado de boa-fé. A Previdência Social existe para proteger trabalhadores e suas famílias diante de situações previstas em lei. Preservar os recursos do sistema, portanto, também significa garantir que eles cheguem a quem efetivamente precisa. A Operação Geração Espontânea segue em andamento, e os benefícios identificados como suspeitos ainda passarão pelos procedimentos de revisão do INSS.
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