Governo passa a exigir RG Nacional biométrico para acessar novos benefícios em 2026

A solicitação de novos benefícios sociais e previdenciários no Brasil passará a ter uma exigência extra a partir de 1º de maio de 2026: quem não tiver biometria registrada em bases oficiais precisará emitir a Carteira de Identidade Nacional (CIN), o chamado “RG Nacional”, para dar andamento ao pedido. A medida faz parte de um plano federal para ampliar o cadastro biométrico e reforçar a prevenção a fraudes na Seguridade Social, com implementação gradual e meta de tornar a biometria 100% obrigatória até 2028.

A estratégia é coordenada pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e envolve a integração de bases biométricas já existentes no Estado brasileiro. Segundo o governo, cerca de 84% do universo estimado de beneficiários já possui biometria em alguma base oficial (como a própria CIN, a Justiça Eleitoral ou a CNH), o que permitiria uma transição sem corrida imediata aos postos de emissão.

O que muda, na prática


A regra não diz que “todo mundo vai ter que tirar o novo RG agora”. O ponto central é: para pedir benefícios, será necessário que exista algum cadastro biométrico do requerente (ou do titular/responsável legal, quando for o caso) em bases reconhecidas pelo governo.

Até o fim do período de transição, o governo seguirá aceitando biometrias de outras fontes oficiais, como:

·        CNH

·        Justiça Eleitoral (TSE)

·        bases migratórias (CRNM/DPRNM) para determinados perfis

E um detalhe importante: quem não tem impressão digital poderá utilizar biometria facial, segundo o cronograma divulgado.

Calendário oficial: do começo da exigência ao “CIN como única base”


O cronograma divulgado estabelece quatro marcos:

 

1) 21 de novembro de 2025

Entrou em vigor o decreto que prioriza a CIN como base biométrica. A partir daí, novos pedidos e renovações do INSS e do BPC passam a exigir algum tipo de biometria (CIN, CNH ou TSE). Para alguns benefícios específicos, a exigência fica para maio de 2026.


2) 1º de maio de 2026

É o marco que mais afeta o público em geral:

Quem não tiver biometria em nenhuma base precisará emitir a CIN para solicitar novos benefícios (ou dar andamento ao pedido).

Nesta mesma data, a biometria passa a ser obrigatória para novos pedidos de benefícios que tinham prazo diferenciado, como:

·        salário-maternidade

·        benefício por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença)

·        pensão por morte


3) 1º de janeiro de 2027
Todas as renovações e novas concessões passam a exigir biometria. Beneficiários sem qualquer registro biométrico serão notificados e deverão emitir a CIN.


4) 1º de janeiro de 2028

A CIN passa a ser a única base biométrica aceita para novos benefícios e renovações/manutenção.

“Vão cortar benefício de quem não tem o novo RG?” Governo diz que não

Uma das principais preocupações virou terreno fértil para boatos: a ideia de que aposentadorias e auxílios seriam bloqueados automaticamente para quem não tiver a CIN.


O governo e o INSS afirmam que não haverá bloqueio automático, e que a implementação para quem já recebe será gradual, com comunicação individualizada para evitar filas e deslocamentos desnecessários. A checagem da necessidade de biometria tende a ocorrer em ciclos de manutenção, como procedimentos semelhantes à prova de vida.


Além disso, o INSS informou que a comunicação aos segurados será feita por canais oficiais, como o Meu INSS (site e aplicativo) e postos de atendimento.

Exceções e públicos com tratamento diferenciado

Durante o período de transição, há situações em que a exigência pode ser dispensada ou ajustada, considerando capacidade de emissão pelos estados e dificuldades de acesso a serviços públicos.

Entre os grupos citados pelo INSS como exceções enquanto não houver alternativa adequada do poder público estão:


·        pessoas com mais de 80 anos

·        pessoas com dificuldade de deslocamento por motivo de saúde (com comprovação)

·        moradores de áreas de difícil acesso (incluindo comunidades atendidas pelo PREVBarco)

·        migrantes, refugiados e apátridas

·        residentes no exterior

 

BPC tem regras de transição específicas

 

Uma atualização mais recente do governo detalhou prazos próprios para o Benefício de Prestação Continuada (BPC) dentro da lógica de transição biométrica:

·        Para solicitar BPC: biometria em bases aceitas deve ter sido realizada até 30 de abril de 2026.

·        Para manutenção ou revisão do BPC: biometria até 31 de dezembro de 2026.

·        Após esses prazos, passa a valer exclusivamente a biometria vinculada à CIN, obrigatória a partir de 1º de janeiro de 2028.


Segundo o governo, para quem já é beneficiário, a consulta às bases pode ser feita de forma automática, e só será convocado quem não tiver biometria em nenhuma base, dentro do calendário.


Por que o governo está fazendo isso


A justificativa oficial combina dois objetivos:

1.     combate a fraudes e proteção do orçamento público

2.     modernização e aumento de segurança na identificação de usuários de benefícios sociais


O que é a CIN, na prática

A Carteira de Identidade Nacional (CIN) é o novo modelo de documento de identidade, com proposta de padronização nacional e integração com bases digitais do governo. No contexto dessa política, ela funciona como base biométrica preferencial e, a partir de 2028, como base única para validação biométrica em benefícios.


 

Texto: Patrícia Steffanello | Assessoria de Comunicação

Imagem: Gerada por 

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